
Ela, sentada na calçada. Ela,antes tão afoita, cai agora na inércia. A tristeza Lhe percorre o corpo, como veneno, e atinge cada fibra, cada canto da sua existência. Um veneno nada doce; um que amarga a alma e enrijece os sentimentos.Uma brisa morna sopra, envolve Seus cabelos. Mas Ela permanece inanimada, fria como mármore.
Uma nesga de sol Lhe banha a face. Porém nem todos os raios de luz poderiam despertá-La do seu estupor. Fora uma tola, enganara-Se novamente. Culpa Sua, somente Sua, por acreditar em algo bom. Bom até em demasia pra ser real. Acostumara-Se por tanto tempo a não esperar coisa alguma, e agora, sabe Deus o motivo, chegou a ter uma esperança de verdade. Por que desta vez?
Ele não virá. Ele não vem. Ele não veio.
Ingênua. Ingenuidade é para as fracas. Ela não é forte, mas fraca?, jamais. As pernas cansaram-se a alma exaustiu-se. Despiu os Louboutin, alcançou o meio fio. E ali permanece.
A luz Lhe alcança metade do rosto agora, Seu olho brilha ao sol. De repente, a sombra desenha uma silhueta, tão familiar, em frente a Ela. Imediatamente Ela calça os sapatos, estende a mão, levanta-Se do chão. O mármore transformara-Se novamente na mais bela escultura já talhada, agora, tão maleável. Ela tinha um sorriso que não caberia no mundo. O féu tornara-se açúcar.
Ela acreditou novamente. Porque a esperança é para as fortes.
